Como está o ecommerce no Brasil durante a pandemia?

Sempre estamos falando seja em nossos post no blog, redes sociais ou emails o quanto a estimativa do aumento das vendas online são grandes, mas e durante a pandemia, o que podemos esperar?

Apesar do momento de crise mundial provocado pelo Coronavírus (covid-19), o ecommerce brasileiro teve um crescimento no 1° trimestre em todo o país, seguindo a trajetória de alta em comparação aos últimos anos. É o que mostra o relatório Neotrust 3° Edição, elaborado pela Compre&Confie.

O número de pedidos teve um salto para 32,6%, mais que o dobro do atingido no mesmo período do ano passado. Segundo o relatório, a variação positiva se deve aos saldões de início de ano, promoções da semana do consumidor e o aumento pela procura por produtos de categoria de bens não-duráveis e perecíveis.

Apesar de ser bem significativo, o resultado está acima das projeções do ano, principalmente pelo grande número de compras se concentrarem em itens básicos de saúde, higiene e alimentação, deixando de efetuar compras de produtos com valor mais altos como produtos de tecnologia eletrônicas.

Uma boa prova para isso vem da observação do ticket médio ter sido reduzido no período em -4,5%, além do aumento de 22,8% de consumidores que fazem uma compra única no ecommerce, totalizando quase 16 milhões de pessoas, batendo recorde do maior valor já registrado em toda série histórica para o 1° trimestre do ano.

Completa o cenário o aumento das compras na categoria pouco representativa anteriormente como Pet Shop, Brinquedos/Bebês e Suplementos/Esporte e Lazer.

Redução no frete.

Mesmo com o aumento significativo do número de consumidores e de compras realizadas online durante o trimestre, o valor médio do frete apresentou redução, comparado ao registrado no mesmo período do ano passado.

De acordo com a Compre&Confie, esta estratégia está sendo executada pelos varejistas com objetivo de oferecer uma boa experiência de compra para novos consumidores. O resultado ainda reflete as promoções realizadas no início do ano e dificilmente será mantido ao longo dos próximos trimestres – dadas as dificuldades logísticas e de abastecimento registradas recentemente por boa parte dos varejistas.

Ao mesmo tempo em que tantas mudanças foram observadas neste 1º trimestre, alguns indicadores mostraram resultados semelhantes aos registrados em 2019 e 2018, como:

  • Os consumidores com 36 e 50 anos ainda são os principais responsáveis por movimentar o varejo digital. A idade média dos compradores em todo o país é de 37 anos;
  • A região Sudeste concentra a maior parte das vendas online no país, sendo responsável por mais de 65% dos pedidos realizados;
  • Mesmo antes da crise atual, brasileiros já buscavam reduzir seu endividamento com as compras online. Ao todo, 67% das compras feitas no trimestre foram pagas à vista ou parceladas em, no máximo, três vezes.

Resultado das vendas.

De acordo com o relatório, o e-commerce mantém a trajetória de alta observada desde 2018, alcançando quase 50 milhões de compras online no 1º trimestre de 2020, que superam os R$ 20 bilhões.

A presença cada vez maior do varejo digital na vida dos brasileiros colabora para que itens da “segunda onda” ganhem espaço no e-commerce, especialmente em momentos de crise.

O resultado é a corrida para as prateleiras virtuais, em busca de itens de menor valor agregado – fator que colabora para a queda significativa no tíquete médio.

Consumidores únicos.

O número de consumidores únicos atual é o maior já registrado para um 1º trimestre do ano. Mesmo significativo, apresenta um percentual de crescimento menor do que o apresentado no último ano, fator que pode ser explicado por alguns motivos: a conquista de uma base significativa ao longo dos últimos anos (deixando cada vez menos espaço para conquistar novos consumidores) e a falta de acesso ou de hábito para o varejo digital.

Comportamento similar também pode ser observado na média de gastos dos consumidores, de R$ 1.175,00. O valor é o maior dos três trimestres analisados, com variação de 6,9% (ante 9,1% no mesmo período do ano anterior), segundo a Compre&Confie.

 

Gênero e faixa etária.

O relatório também revela que, na divisão por gênero, as mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelo alto volume de compras via e-commerce, enquanto os homens fazem compras de maior valor financeiro.

Um fator que explica esse resultado é a preferência do público feminino por itens mais baratos na maior parte das compras – como Moda e Acessórios ou Beleza e Perfumaria –, enquanto os pedidos realizados pelo público masculino se concentram principalmente em categorias, como Eletrônicos e Telefonia, com preços mais elevados.

Share por região.

A região Sudeste concentra a maior parte das compras online realizadas em todo o país, um comportamento similar ao observado em trimestres anteriores. A facilidade de acesso a centros de distribuição para varejistas, o hábito de comprar online por parte dos consumidores e o fato de que a região concentra os maiores salários do país* contribuem para este resultado.

 

Frete e parcelamento.

A proporção de frete pago ante gratuito no país se mantém estável desde o ano passado. A redução no valor, observada este ano, pode estar ligada às promoções realizadas nos primeiros meses de 2020 e ao consequente volume de compras realizadas nesse período, especialmente em janeiro.

Com a chegada da Covid-19 e as dificuldades logísticas enfrentadas por varejistas para atenderem ao público, esse cenário dificilmente será mantido ao longo dos próximos meses, analisa a Compre&Confie.

Share de categorias.

O comportamento do consumo durante o 1º trimestre ainda segue, em grande medida, o observado em períodos anteriores: o segmento de Moda e Acessórios permanece como destaque absoluto em número de pedidos e, em faturamento, o primeiro lugar é ocupado por Telefonia.

Entretenimento ainda permanece com representatividade no e-commerce, considerando que incluímos as vendas de eletrônicos nesta categoria, porém, com queda no trimestre devido ao menor volume de vendas de livros, CDs/Bluray e, principalmente, tickets.

Segundo a Compre&Confie, o comportamento é um reflexo claro da mudança de comportamento do consumidor com o isolamento social imposto em todo o país.

Fonte: e-commerce Brasil.

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